QUALIDADE
Apontar nossos defeitos é mais complicado que falar das nossas qualidades.
Falar de nossas qualidades é nos movimentar ao elogio, como por exemplo, eu sou lindo.
Até um cego pode se qualificar;
Até um mudo pode se olhar;
Um aleijado se vangloriar.
Pois, qualidade é qualidade e todo mundo têm.
No tema anterior eu falei do meu pior defeito, e agora falo da minha melhor qualidade.
Eu sou muito corajoso pra tudo. Muitas pessoas não conseguem entender a minha pessoa, pois se eu digo que desisto fácil não posso dizer que sou corajoso para enfrentar tudo. Realmente sou uma mistura de vida. Mas com minha qualidade de corajoso eu posso enfrentar qualquer barreira, um dia quem sabe eu não tomo o lugar do grande empresário Roberto Justus ou do grande apresentador da TV brasileira Silvio Santos.
Eu sempre tenho imaginações comigo, elas me acompanham o tempo todo, e um dia eu me via em um Reality Show; como seria a minha pessoa em um Reality? Com certeza me sairia muito bem e com o premio oferecido, pois eu lutaria com minhas forças para enfrentar desafios, o escuro, a altura, a água, os bichos animais e os bichos humanos. Eu não tenho medo de nada disso.
Coragem é o que não me falta e se um dia me faltasse pediria de Deus.
Coragem é tudo que uma pessoa precisa ter, pois somente ela nos ensina que depois de uma barreira a sempre um vitoria.
Um historia de coragem minha foi no dia em que eu inventei um personagem para ir a escola quando cursava a sexta serie na época. Eu já fazia oficina de teatro e mandava muito bem nos papeis que fazia. Numa quarta feira eu estava me preparando para ir a escola e me veio uma imaginação. Uma imaginação que dizia para eu me transformar em outra pessoa totalmente diferente, mas que parecesse comigo. Eu logo gostando da idéia inventei que tinha um irmão gêmeo e que ele se chamava Paulo Vasconcellos. Essa idéia seria arriscada para mim, mas seria também divertida, pois eu só queria ver a cara dos meus amigos de sala de aula. Então comecei com a transformação. Coloquei minha roupa e mudei minha aparência total; usei brinco de pressão, penteei os cabelos para cima feita moicano, fiz dois sinais vermelhos no pescoço, andei diferente e até acrescentei outro idioma. Tive a cara de pau de falar Espanhol um idioma que manjo muito bem.
Fui então para a escola e chegando à sala de aula as pessoas começaram a notar algo de diferente em mim. E eu conseguia ver os pontos de interrogação na cabeça de todo mundo, até mesmo da professora.
-Esse não é o Ruy.
-Por que isso?
- O aconteceu com ele?
Eram varias perguntas que eu conseguia ler. Sentei-me no fundão da sala como Paulo Vasconcellos, sendo que o Ruy Júnior sentava à frente. No intervalo de um tempo para o outro, uma amigona do Ruy chegou perto do Paulo e perguntou o que ele fazia sentado ali e por que estava tão diferente. O Paulo a personagem que inventei lhe respondeu que não era o Ruy e que ele queria falar serio com ela. A Edinora já ficou assustada, pois a fala não era a mesma. Ela ficou assustadíssima, eu conseguia ver isso nos olhos dela.
Na conversa o Paulo repetiu que não era o Ruy e que era um irmão gêmeo dele que estava passando alguns dias no Brasil e na casa dele. A historia que Paulo (Ruy) inventou para está ali na sala de aula, foi que o irmão estaria passando mal e não poderia ir a aula e para não perder nada mandou que o irmão viesse no lugar dele.
Que bizarro!
Minha sorte foi que a Edinora acreditou... A sala toda acreditou na minha mentira. Eu passei uma semana emprestando o meu corpo para o Paulo. O Paulo Vasconcellos era bem diferente do Ruy Júnior, porque o Paulo era chato e não gostava de brincadeira ele era mais serio quando o assunto era andar com meninas na hora da merenda. O Ruy já gostava, o Ruy andava com meninas e meninos; ele era bem mais popular. Com isso tudo, essa transformação que a personagem Paulo fazia na escola os meus amigos já não falava mais com ele e nem as meninas e todos pediam uma única coisa a volta do Ruy para a escola.
O Paulo participou de um seminário de Historia e a sala ficou preocupada e com medo da professora descobrir que o Paulo não era o Ruy. O Paulo fazia o tipo do Espanhol que não sabia ler brasileiro e com isso ele ferraria a historia toda. O seminário deu seus inícios e o Paulo deu conta do recado lendo em espanhol e explicando muito bem o assunto em espanhol. A única coisa que ele não poderia ser além de chato era burro. A professora descobriu tudo e ela gostou de saber que o Ruy tinha um irmão gêmeo.
Mas um dia essa minha invenção estava me afastando dos meus melhores amigos e eu resolvi criar coragem para contar toda a verdade. Eu já estava me sentindo bem com aquela mentira e eu saberia que um dia me afogaria nela. Alguns dos meus amigos gostaram da brincadeira, outros desistiram da minha amizade.
Às vezes precisamos tomar coragem para falar tudo e pra recomeçar de novo.
Às vezes precisamos ter coragem para perdoar, abraçar, amar e respeitar.
Um dia eu tive coragem de maltratar, bagunçar, acabar, destruir com a vida do meu primo e tudo o que eu fazia era com coragem. Mas depois eu tive a coragem de me redimir e enfrentar meus desafios e ficar no meu lugar. Pedi perdão do meu primo.
Coragem é isso. É enfrentar desafios e saber que somos dignos de ser desafiados por ela.

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